Falar sobre prazer feminino ainda causa desconforto. Silêncios. Risadinhas nervosas. Mudança de assunto.
E isso diz muito mais sobre a sociedade do que sobre o prazer em si.
Mesmo em tempos de mais informação e liberdade, o prazer da mulher continua sendo tratado como algo secundário, opcional — ou pior, como algo que deveria ser escondido.
Mas por quê?
O prazer feminino sempre foi silenciado
Historicamente, a sexualidade feminina foi construída em torno do dever, da reprodução e da expectativa do outro. Durante muito tempo, mulheres foram ensinadas a:
- Não tocar no próprio corpo
- Não demonstrar desejo
- Não falar sobre o que sentem
- Priorizar o prazer alheio
O resultado disso é uma geração inteira que cresceu sem referências positivas sobre o próprio prazer.
Vergonha não nasce com a gente — ela é ensinada
Ninguém nasce achando o prazer algo errado. Essa ideia é construída ao longo da vida, em pequenas mensagens como:
- “Isso não é coisa de mulher direita”
- “Você pensa demais nisso”
- “Pra que falar sobre isso?”
Com o tempo, muitas mulheres passam a sentir culpa por sentir prazer — ou simplesmente deixam de se permitir sentir.
O tabu afeta mais do que a vida sexual
Quando o prazer feminino é silenciado, não é só o sexo que sofre. Esse tabu impacta diretamente:
- A autoestima
- A relação com o próprio corpo
- A capacidade de se comunicar em relacionamentos
- O autoconhecimento emocional
Ignorar o prazer é ignorar uma parte importante de quem somos.
Falar sobre prazer é falar sobre saúde e bem-estar
Prazer não é excesso, nem futilidade. Ele está ligado ao bem-estar físico e emocional, à redução do estresse, à conexão consigo mesma.
Quando uma mulher entende seu corpo, seus limites e seus desejos, ela passa a fazer escolhas mais conscientes — dentro e fora da intimidade.
Por que conversar sobre isso ainda causa desconforto?
Porque falar sobre prazer feminino mexe com estruturas antigas:
- Questiona padrões
- Rompe expectativas
- Devolve autonomia ao corpo feminino
E toda mudança profunda gera resistência.
Mas o silêncio nunca protegeu ninguém.
Abrir espaço para o diálogo é um ato de liberdade
Conversar sobre prazer não precisa ser explícito, exagerado ou desconfortável. Pode — e deve — ser feito com respeito, informação e acolhimento.
Quando normalizamos o diálogo, criamos espaço para:
- Mais consciência corporal
- Relações mais saudáveis
- Menos culpa e mais autonomia
Um convite à reflexão
Talvez o tabu não esteja no prazer em si, mas no medo de mulheres conscientes do próprio corpo.
Na Guiasexo, acreditamos que falar sobre prazer é falar sobre liberdade, respeito e autoconhecimento. Cada conversa aberta é um passo para quebrar silêncios que nunca deveriam ter existido.
💭 E você?
Em que momento aprendeu que falar sobre prazer era errado?